Como se protege verdadeiramente uma costa?
A resposta não está numa única ciência, numa única instituição ou numa única iniciativa de cidadãos.
Está no encontro de todas elas.
Foi com esta filosofia que se concebeu o primeiro encontro internacional dos parceiros do projeto europeu Erasmus+ Guardians of the Coasts, que decorreu na Grécia, acolhido pela Fotoessa, com a participação das parceiras portuguesas Rita Sousa, da Aequalitas, e Rafaela Fortunato e Beatriz Pereira, da Impactrip.
Desde o primeiro momento ficou claro que o objetivo da visita não era uma série de reuniões protocolares. Os parceiros foram convidados a conhecer pessoas que abordam a proteção das costas a partir de pontos de partida diferentes, mas que servem um propósito comum: o cuidado dos bens comuns e o reforço da cidadania ativa.
O percurso começou pelo poder local, através de reuniões com o Presidente da Câmara de Saronikos e a Vereadora do Turismo. As conversas evidenciaram o papel crucial que a cooperação entre as instituições públicas e a sociedade civil pode desempenhar na gestão sustentável do espaço costeiro.
Seguiu-se a comunidade científica, com a visita ao Centro Helénico de Investigação Marinha (HCMR), onde foi apresentada a forma como o conhecimento científico contribui para a compreensão e a proteção dos ecossistemas marinhos. O encontro com o ambientalista Iasonas Markantonakis completou esta perspetiva, destacando a importância de compreender os processos naturais que moldam as costas e os desafios que hoje enfrentam.
A dimensão jurídica foi apresentada através de encontros com o advogado e Presidente do Conselho Municipal da Juventude de Saronikos, Gavriil Kokkinis, e com o advogado e ativista Antonis Sifakis. Ambos destacaram o papel do direito, do conhecimento dos direitos e das instituições democráticas como instrumentos fundamentais para a defesa dos bens comuns e o fortalecimento da cidadania ativa.
As pessoas da sociedade civil ocuparam um lugar especial no programa. O ativista Christos Kotsireas, a professora e coordenadora de ações de voluntariado Anastasia Ioannidi, a Presidente da Associação Cultural «Fokaeon Politeia», Zacharo Fratzeskou, a mergulhadora e voluntária ambiental Angeliki Spanea, bem como os voluntários do movimento de cidadãos «Praias Livres», apresentaram diferentes formas de participação ativa, demonstrando que a proteção das costas é, ao mesmo tempo, uma questão de voluntariado, cultura, educação, cooperação e ação social quotidiana.
Cada um destes encontros acrescentou uma perspetiva diferente à mesma pergunta:
Como se protege um lugar?
Por vezes, através da ciência.
Por vezes, através da administração pública.
Por vezes, através do direito.
Por vezes, através da educação.
Por vezes, através da cultura.
Por vezes, através do voluntariado.
Por vezes, através da participação quotidiana dos cidadãos.
Os parceiros constataram que nenhuma destas abordagens é suficiente por si só. A proteção efetiva das costas nasce quando todas estas diferentes formas de conhecimento e de ação se encontram, colaboram e se complementam.
Estas visitas foram muito mais do que um contacto com a realidade grega. Tornaram-se o ponto de partida vivo a partir do qual foram concebidos os primeiros workshops educativos do projeto. As experiências, ideias e inquietações que delas emergiram estão gradualmente a transformar-se em atividades educativas que reforçam a sensibilização ambiental, a cidadania ativa e a participação das comunidades locais.
Esta é também a visão do Guardians of the Coasts.
Construir pontes.
Entre a ciência e a sociedade.
Entre a experiência local e a cooperação internacional.
Entre a história pessoal e a responsabilidade coletiva.
Porque as costas não são apenas ecossistemas naturais.
São lugares onde se encontram a memória, a cultura, a democracia, a cooperação e a experiência humana.
E a sua proteção começa sempre com pessoas que, apesar dos seus diferentes percursos, escolhem trabalhar em conjunto por um futuro comum.
As nossas praias.
Um bem comum.
Uma responsabilidade comum.
Um futuro comum.
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